“Força Nacional de Segurança é um mito, não funciona”, diz Mendonça
Em 1º de dezembro de 2025, na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça, nomeado pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro, afirmou a empresários que a “Força Nacional de Segurança é um mito”. O pronunciamento ocorreu durante um encontro de empresários com autoridades de segurança pública, no contexto de um debate mais amplo sobre
Em 1º de dezembro de 2025, na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça, nomeado pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro, afirmou a empresários que a “Força Nacional de Segurança é um mito”. O pronunciamento ocorreu durante um encontro de empresários com autoridades de segurança pública, no contexto de um debate mais amplo sobre modelos de combate à criminalidade no Brasil. Mendonça, que já ocupou a posição de ministro da Justiça e Segurança Pública na gestão Bolsonaro, questionou a viabilidade de um modelo de força de segurança que reúna recursos das Forças Armadas, da Polícia Federal e de outras agências federais e estaduais.
A crítica de Mendonça surge em paralelo à proposta da Fundação Perseu Abramo – entidade ligada ao Partido dos Trabalhadores – que em novembro de 2025 publicou uma cartilha intitulada “Guarda Nacional Civil”. Segundo a fundação, a nova força substituiria gradativamente a presença das Forças Armadas em Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), criando uma instituição policial federal que atuaria em todo o território nacional, com foco especial nas fronteiras e na Amazônia Legal. A proposta prevê a criação da Guarda por meio de uma Emenda Constitucional, ampliando os órgãos de segurança pública e estabelecendo um novo corpo de polícias atuantes em nível nacional.
Mendonça argumenta que a cooperação entre os diversos órgãos de segurança tem sido prejudicada por “brigas” e “desconfianças” de uma corporação para a outra, refletindo o histórico de interposição de competências. Ele relata que, enquanto ministro da Justiça, tentou desenvolver iniciativas de integração com o Estado de São Paulo, sem sucesso, porque “é uma visão de que você está querendo entrar na competência do outro”. Assim, a proposta da Fundação Perseu Abramo, que visaria substituir a participação das Forças Armadas nas GLO, pode exacerbar as tensões entre as esferas federais e estaduais, além de gerar debates sobre a constitucionalidade da expansão de poderes policiais federais em áreas tradicionalmente de competência estadual.
Do ponto de vista prático, a adoção de uma Guarda Nacional Civil implicaria a reestruturação de contratos de segurança, a realocação de recursos financeiros e a redefinição de protocolos operacionais. A presença de um corpo federal em fronteiras e na Amazônia Legal pode demandar novas capacitações, equipamentos e sistemas de comunicação. Ao mesmo tempo, a dependência das Forças Armadas em operações de GLO tem sido objeto de críticas por questões de legalidade e de efetividade em áreas de segurança pública. A proposta de substituição gradual pode gerar períodos de transição prolongados, nos quais a efetividade da segurança pode ser afetada. Além disso, o debate sobre a constituição de uma nova força policial federal traz à tona questões sobre a divisão de competências entre os poderes, a necessidade de ajustes legislativos e a possível necessidade de emendas à Constituição.
Tais discussões refletem as divergências de visão sobre a organização do Estado de segurança no Brasil, evidenciando a complexidade de equilibrar autonomia estadual com a necessidade de atuação federal em áreas estratégicas. O debate sobre a viabilidade e eficácia de uma Guarda Nacional Civil permanece em aberto, com implicações que vão além do âmbito jurídico, atingindo questões de governança, orçamento e política de segurança pública.
Camilo Dantas
Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: redacao@camillodantas.com.br